segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Futebol na casa de amigo

          Joelho ralado, dedo cortado, isso que acontece quando joga no quintal da casa do amigo, além de ser a maior “zuação”, nunca da certo, acaba em briga (ou a bola vai pra casa da “velha chata”), mais depois sempre fazem as pazes.
Como eu tinha dormindo na casa do meu amigo, foi só “zuação”, mas dormimos cedo (as 1 da madrugada). Logo de manhã íamos jogar bola, mas estava chovendo; a chuva molha tudo mesmo, seus planos, sua roupa e se deixa até aquele tênis que deixo pra secar, e ainda ela vem do nada, você esta assistindo e de repente começa o “chuuuuuuuuuuu”, é ela, molhando tudo! Marcamos o futebol depois do almoço. É chegou a tarde e fomos pro futebol; começamos só ficando chutando, depois que apareceram os moleques, então jogamos, estava tudo “bacana legal”, quando o Matheus do nada deu um “carrinho” no Lucas (são irmãos), e começaram a brigar como estávamos perdendo, fingi que num vi só pra mim fazer o gol, mas num valeu (não sei porque), então a mãe deles chego e brigo, e voltamos ao jogo; estávamos ganhando , quando o Lucas resolve tentar fazer um gol de longe, avisamos que num iria dar certo, mas teimoso ele chuta! A bola não vai pro gol, bate na quina da área, sobe bate na antena e lentamente vem rolando pelo telhado e infelizmente bate no muro e cai na casa da “velha chata”. Brigamos com o Lucas e falamos: “Nos aviso que num ia dar certo, agora tu acabou com o futebol!”. Batemos palma na casa, mas não tinha ninguém, só um cachorrão; ficamos esperando pra ver se alguém chegava, mas não tivemos resultado, o jeito foi ir cada um pra sua casa.
Domingo terá de novo, aquela ralação de joelho, cortes nos dedos, pernas doloridas, ah! Desta vez num deixaremos o Lucas chutar de longe!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um dos textos que me inspiram ²


A quadra velha (Gabriel Batista da Silva)

Aqui no lugar onde vivo não tem cinema, lan house, discoteca... aqui tem cavalo, rio,

cachoeira, gente que conta histórias... E, acima de tudo, aqui tem uma quadra. Uma quadra

velha. Velha e pequena, só tem espaço para seis jogadores de cada lado. Uma quadra velha

e pequena onde cabe inteira a nossa imensa alegria.

Ali a bola rola, enrola, rebola, embola, solta, samba, sapateia... Ali vale tocar a bola de

chuteira, de chinelo ou de pé no chão. Ali vale jogar menino, menina, velho, magrela e gordão.

Vale entrar de sola, de carrinho e até de bicão. Vale arrebentar o joelho, arrancar a

ponta do dedão... tem gol contra, bola murcha e bola fora.

O que importa é que quando a bola rola na quadra velha o mundo para. As árvores e as

casas espiam. As pessoas que passam pela estrada de terra não resistem, param, assoviam,

batem palmas. Os moleques perdem a hora que se perde no tempo. Cada pai vê em seu filho

o grande craque e sonha com seu menino na seleção. Quem sabe 2014...

Ali, na quadra velha e pequena, adormece a tristeza, o cansaço, a desilusão... ali os

homens se esquecem dos calos, das dívidas, das dores... ali os meninos são magos, são livres,

são pássaros: transcendem, voam... Ali não tem zero, não tem senão. Só tem bola no

chão. Ali eles são uma bandeira verde e amarela hasteada no sertão.

Isso, até que chega a noite escura e sombria. Ela, revestida de negro, faz arriar o sonho,

despe a fantasia, cala a poesia.

Amanhã tem trabalho, tem escola. Dói o calo, o joelho incha, o moleque chora. E a

quadra fica de fato velha e pequena. Fica ali, triste, silenciosa, no escuro. Fica ali à espera

de que os meninos voltem logo e ressuscitem o momento mágico.

Um dos textos que me inspiram


Peladas (Armando Nogueira )

Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto.

E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: "eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe." Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.

Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro jogo sem camisa.

Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula.

Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.

Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: "Copa Rio-Oficial", "FIFA - Especial." Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati.

No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.

Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.

Nova saída.

Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.

O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.

Em cada gomo o coração de uma criança.

Armando Nogueira
é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações. Tem dois livros lançados, "Bola na rede", e "A chama que não se apaga", sobre as cinco olimpíadas que cobriu como jornalista. Hoje colabora com diversos jornais, que publicam suas crônicas esportivas, e mantêm programa em um emissora de televisão.

Do livro "
Os melhores da crônica brasileira", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1977, pág. 29, extraímos o texto acima.

 Retirado do endereço http://www.releituras.com/anogueira_peladas.asp

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Os não da mãe



Quem nunca recebeu um não ( ou até mais de 2) da mãe quando mais queria algo, como sair com os amigos, jogar bola, até mesmo um brinquedo ou alguma outra coisa.
Elas dizem que é para o nosso bem, porém podem até ser, mas que são chatos são, bem chatos, muito chatos, muito, mais muito CHATO mesmo! E ainda por cima se você insistir , elas continuam com o não, e ainda te ameação-lhe te bater: " Eu ja falei que não, e se tu perguntar de novo eu vou te bater moleque ! " . É bem arriscado, mas as vezes até que vale a pena insistir, você pode ganhar o tão esperado sim (ou o ardente tapa). Tenho provas disto ( não do tapa ardente ), mas sim de que insistir nem sempre da certo.
As vezes pode ter a sorte que de primeira receba o sim, a não ser fazer algo pra receber o sim. Mas se você o recebe-lô, aproveite, por que amanhã pode receber 2 nãos, e ter a onda de azar de uma semana.
As mães são espertas, sabendo que você quer muito, ela vai dificultar, dizer qe não, enrolar e enrolar, e querer ver você com raiva, algumas de bom coração enfim até deixa, depois de te ver de quase chorando, enquanto algumas continuam no não.

Planaltão forever

   Terra, poeira; pés descalços, com unhas encravadas; meninos suados, sujos, fedidos e apaixonados por futebol. Um ponto de encontro e nossa segunda casa. Assim poderíamos definir o Planaltão. Lugar de felicidade e muitas bolas ao vento, onde altas jogadas, feias ou bonitas, sempre proporcionavam aqueles gols fenomenais. Havia sempre aquele “bonzão” que no final pagava um gol no “Inacreditável Futebol Clube”. Às vezes tinham jogadas a la Ronaldinho, Pelé e até Messi, mas a participação dos “sem querer” não podia faltar, e, como sempre, aparecia um toque especial e particular de cada jogador.

Quando chegavam os moleques fazíamos a contagem, se conseguíssemos seis para cada lado, não importava se eram amigos ou inimigos, os times estavam formados e era só um gritar, num dialeto bem paraense: “Agora ta du vale!” (está valendo), que a paz acabava. Era sebo nas canelas, partíamos pro jogo, ali virava um campo de batalha, cada um com a sua estratégia, porque ser treinador ninguém queria, queríamos mesmo era a magia da pelota; e assim, bola pra cá, bola pra lá, goleiros passando perrengues, zagueiros dando bicão na redondinha e sempre saia um:
— Pega ela. Acredita.
Isso virara um bordão. Podia fazer sol, chuva e até sereno, mas toda vez jogávamos até não ver a bola. Quando a escuridão caía, não importava se tivesse 90 a 0, quem fizesse o último gol era consagrado campeão do dia. Juiz ali não tinha (sorte pra mãe dele), brigas ali tiveram algumas, assim como muitas amizades encontradas e renascidas, mas nada que interferisse nas nossas peladas.
Nosso maior ídolo foi o Toin, revelado pelo Planaltão F. C., que dali foi jogar no Paysandu, lá jogou apenas três jogos e no último entrou para fazer parte da maior vitória daquele time e o infeliz foi o River Plate: aos 43 do segundo tempo o nosso Toin fez o tão sagrado gol, e na comemoração veio o nosso orgulho, tirou a camisa, mesmo consciente do cartão amarelo que levaria, e com outra por baixo mostrou a frase que para os planaltenses era a mais linda de todas.
“Planaltão, eu I Love, Planaltão!”
Com vários erros, mas foi o nosso maior orgulho mesmo!!!
Mas como tudo o que começa acaba. Agora o barulho das máquinas revela que a cidade está crescendo e que o novo proprietário do terreno onde ficava o nosso Planaltão vai realizar o seu sonho de um prédio novo, nem se importando com as tristezas e saudades das crianças, jovens e adultos que faziam daquele lugar um magnífico estádio. Não entrou ali um velho de canivete na mão para cortar a bola e fazê-la sangrar, entraram engenheiros e operadores para cavoucar e enterrar a nossa alegria.
Da quadra da escola, vemos indo embora os nossos risos, silenciando os gritos de euforia e brotando a lágrima da saudade. Queria ter agora a força de um super-herói para poder parar aquelas máquinas cruéis. De pé na arquibancada, com os nossos corações partidos, calados, com o choro enroscado na garganta observamos tudo ir de trave abaixo. Homens trabalhando para construir uma cidade mais moderna, evoluída, fazendo brotar salas que receberão os pés limpos, unhas feitas, sapatos engraxados, de salto, no lugar que até bem pouco tempo recebia os pés de moleques que sonhavam em um dia ser jogador de futebol!
Mas Planaltão é assim, pra sempre!