Hoje completa 1 mês do Blog.
Obrigado a todos ! E espero completar 1 ano , até muitos anos.
Que esse seja apenas o começo de tantos meses pela frente !
sábado, 23 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Um dos textos que me inspiram ³
A útima crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.
O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.
O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Vamos de ônibus ou não?
Ir pra escola andando de manhã é fácil, tirando a parte de que você tem que acordar cedo e levantar da cama que parece que te puxa, o resto é bem fácil, você vai “só de boa”, no friozinho, andando parecendo um zumbi, e se encontra amigos indo fica melhor ainda, o caminho fica até mais perto...
Agora a volta que é crucial, aquele caminho que parecia tão curto e relaxante, fica quente, longo, e parece que nunca vai chegar sua casa, fica agoniado com aquele sol escaldante do meio-dia na sua cabeça. Então surge a pergunta: Vamos de ônibus ou não?
Se muitos moleques forem andando, até que nós vamos, mas se for eu, o Maykel e o Victor, fica ruim, e ainda temos que ter a sorte de pegar o ônibus do Seu Cafu vazio, é porque ela ainda passa na outra escola, e enche demais. Foi oque aconteceu hoje, estava muito cheio e então resolvemos ir andando, e até que num estava com sol, estava meio que querendo chover, e ainda batia uns ventos friozinhos.
Ás vezes temos até medo de ir no ônibus, pois tivemos um amigo ( não sabíamos o nome dele e chamávamos ele de “moleque”) ele, não sei como, mas ele consegui-o quebrar o braço no ônibus, e as vezes nos perguntamos será que pode acontecer com nós? Isso contribui pra irmos andando, até agora num aconteceu nada de anormal, mas é melhor prevenir de que remediar (palavras da minha mãe!). Em dias de muito sol ou de chuva, o jeito será de ir no ônibus, lotado ou não, teremos que lutar pelo lugar. Apesar de que ir de ônibus é legal (quando ele está vazio), tu vai sentado e relaxado, conversando e esperando sua parada.
Ainda está no inicio das aulas, teremos muito tempo pra parar e pensar se vamos de ônibus ou não, ou se vamos aquela “cambada” de moleque indo pra suas casas. Uns arrumam carona, a mãe vem buscar e alguns vão até sozinho no ônibus.
Mas essa questão que ficara até o final do ano: Vamos de ônibus ou não?
Agora a volta que é crucial, aquele caminho que parecia tão curto e relaxante, fica quente, longo, e parece que nunca vai chegar sua casa, fica agoniado com aquele sol escaldante do meio-dia na sua cabeça. Então surge a pergunta: Vamos de ônibus ou não?
Se muitos moleques forem andando, até que nós vamos, mas se for eu, o Maykel e o Victor, fica ruim, e ainda temos que ter a sorte de pegar o ônibus do Seu Cafu vazio, é porque ela ainda passa na outra escola, e enche demais. Foi oque aconteceu hoje, estava muito cheio e então resolvemos ir andando, e até que num estava com sol, estava meio que querendo chover, e ainda batia uns ventos friozinhos.
Ás vezes temos até medo de ir no ônibus, pois tivemos um amigo ( não sabíamos o nome dele e chamávamos ele de “moleque”) ele, não sei como, mas ele consegui-o quebrar o braço no ônibus, e as vezes nos perguntamos será que pode acontecer com nós? Isso contribui pra irmos andando, até agora num aconteceu nada de anormal, mas é melhor prevenir de que remediar (palavras da minha mãe!). Em dias de muito sol ou de chuva, o jeito será de ir no ônibus, lotado ou não, teremos que lutar pelo lugar. Apesar de que ir de ônibus é legal (quando ele está vazio), tu vai sentado e relaxado, conversando e esperando sua parada.
Ainda está no inicio das aulas, teremos muito tempo pra parar e pensar se vamos de ônibus ou não, ou se vamos aquela “cambada” de moleque indo pra suas casas. Uns arrumam carona, a mãe vem buscar e alguns vão até sozinho no ônibus.
Mas essa questão que ficara até o final do ano: Vamos de ônibus ou não?
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